Todas as vezes em que pensei estar a salvo, 2020

Carolina Moraes e Simone Moraes

Todas as vezes que pensei estar a salvo, 2020

Casa Contemporânea - São Paulo, SP

Carolina Moraes e Simone Moraes

Outras artistas participantes:  Antonio Dorta, Bia Penha, Bianca Mimiza, Cris Panariello, Dani Abutara, Fernanda Lerner, Inácia de Boyola, Juliana Brito, Karina Walter, Laura Mallozi, Mariana Demuth, Marla Rodrigues, Nina Lima, Paulo Tripitelli, Regina Datti, Renata Cruz, Renata Malachias e Roberta Segura.

 

Organização: Renata Cruz

O caminhar pela beira da praia no final de um dia, com o por do sol alaranjado no céu azul. À esquerda o mar, à direita, areia e coqueiros. Além dos coqueiros, pessoas se organizam para passar a noite na calçada da praia. Durante o dia não podem permanecer alí, mas ao cair da noite, retornam para dormir com seus animais e cobertores. Entre eles há um homem com um berimbau, vestido com a camisa do Brasil que tem um cachorro muito bem tratado. São pessoas que não voltam para casa como eu.
“Todas as vezes em que pensei estar a salvo” é uma frase que me remete a este lugar ambíguo e contraditório que são os passeios por esta praia bonita, que é também o não abrigo temporário de muitas pessoas que não tem onde morar.
A exposição propõe, no espaço expositivo da Casa Contemporânea, pequenos pensamentos sobre a ideia de casa, abrigo, acolhimento e cuidado. Propõe tratar também sobre os espaços de fragilidade que permeiam a nossa existência, desde as organizações sociais, o cotidiano na cidade, o lugar onde vivemos, ao corpo que temos. E a se perguntar, o que seria uma casa contemporânea na cidade de São Paulo hoje?

 A casa, a cidade, o país que abriga as contradições e expõe nossas feridas. ”Estar a salvo” poderia ser um caminho que nos levasse ao encontro com nossas próprias dores? Inventar e reinventar o abrigo compartilhado, a casa comum o senso de pertencimento.

 A exposição que foi suspensa desde o início da pandemia, retoma seu projeto antes de sua abertura física, pensando em como criar lugares onde possamos nos sentir em casa e juntos. E lança convites à todos que queiram participar de encontros virtuais para experiências de escuta e cuidado de si e dos seres que nos rodeiam. São encontros convite feitos pelos artistas a partir de suas pesquisas. Reuniões semanais de uma hora e meia com no máximo 20 participantes onde cada proposição dialoga com os trabalhos que estarão futuramente presentes na exposição.

 Desta forma os artistas desejam reafirmar seu compromisso na construção de espaços de potência e cuidado, onde compartilhamos o que somos e o que podemos construir juntos. E na consciência de que a vida é também uma experiência coletiva.

Assim como o mar cintilando nos conta sobre o céu, o homem com a camisa do Brasil e berimbau, com seu cachorro feliz, nos conta também de cada um de nós, do nosso país, daquela praia e do tipo de mundo que todos os dias escolhemos viver.

Renata Cruz 

Organizadora

Texto completo disponível em:

https://casacontemporanea370.com/2020/exposicoes/todas-as-vezes-que-pensei-estar-a-salvo/

 

Programação e encontros online:

Catálogo virtual da exposição 

Organização de Renata Cruz

Disponível em: 

https://casacontemporanea370.com/catalogo-exposicao-todas-as-vezes-que-pensei-estar-a-salvo/

 

O Arcano Treze do tarô: estamos salvos? - 22/08/2020

Com Paulo Tiptelli

 Que segredos os personagens do tarô nos revelam?
A partir de um breve relato sobre a história e estrutura das vinte e duas cartas do tarô (estudo que tenta aproximar a ação desses personagens primordiais ao indivíduo), nos dedicaremos à explorar particularmente a figura do arcano de número treze. Com base no que foi observado, o grupo poderá expressar suas ideias, sensações ou lembranças que venham a ser ativadas. Ao final, haverá o sorteio de uma carta para cada integrante que receberá uma rápida interpretação pessoal.

Todas as vezes em que pensei estar a salvo: corpoéticas - 29/08/2020
Com Bianca Mimiza

 No nosso encontro faremos uma prática de yoga como experiência estética ativadora de corpes potentes, abertes, atentes e sensíveis a si própries e ao seu entorno.

Pequeno kit salva-vidas: o poético como âncora - 03/09/2020
com Juliana Brito

 Pequeno kit salva-vidas é um convite-alimento. Espero construir em conjunto com os participantes um encontro para compartilhar experiências de nutrição e potência criativa a partir de um estado de presença.

 Nesse encontro compartilho o meu salva-vidas, que tem me mantido presente, ativa e imersa onde me interessa.

 Peço para que cada participante traga um parágrafo de um livro, texto, poesia, uma coisa escrita que te sirva de bússola para a partir daí fundar nosso lugar enquanto grupo potência. Traga também algo para beber. Caso queira me acompanhar, estarei no vinho.

 Tenha por perto um lugar de anotações, um espaço com possibilidade de receber escritos, desenhos, pinturas e o que mais surgir. O material que você tiver familiaridade será muito bem vindo nesse processo.

 O encontro será dividido em 3 partes: ativação do estado de presença com percepção corporal e respiração; compartilhamento do kit salva-vidas; compartilhamento dos escritos trazidos pelo grupo; discussão dos estados provocados.

Estados de superfície e ambiência de si - 17/09/2020
com Laura Mallozi

 Brian Eno está entre música e linguagem visual, constrói um lugar para que cada um possa viver a sua própria experiência. A partir desta ambiência sonora que Eno nos proporciona, as participantes serão convidadas a vivenciar o estado atelier durante o tempo da música Lux.

Desenho da casa da infância, memórias de mim - 24/09/1997
Com Marla Rodrigues

O que a casa da infância me conta?
O encontro propõe o desenho da casa em que moramos na infância como caminho para a elaboração de um autorretrato. O que a casa da infância me conta? Desenhar esta morada tem a intenção de ativar memórias e refletir sobre o que possíveis lembranças nos contam sobre nós.
Estimular a elaboração de memórias do cotidiano presente ou passado é parte de minha investigação como artista. A proposição do encontro surge do entendimento de que contar memórias é uma oportunidade para elaborar e dar sentido à existência.

Os ninhos que criamos em nós – construção coletiva de um quarteirão de casas das memórias - 03/10/2020

Com Simone Moraes e Carolina Moraes

 A partir de relatos orais, construiremos um quarteirão de casas, casas de memórias onde habitamos e que agora habitam, talvez somente, em nós. Convidamos para um momento de saída do ambiente-casa em que estamos atualmente para um retorno a um lugar vivido em coletivo, um ambiente-casa recuperado pela imersão na memória. Todos nós carregamos as lembranças das casas em que vivemos. Os cheiros, as cores do jardim, o piso, as janelas, as árvores… cada cantinho que nos acolheu. Gostaríamos de coletar as memórias das casas que existem dentro de vocês!   Nossas casas são também onde nos sentimos seguros – a salvo – e a ideia de lar é uma construção que vai para além dos limites físicos do espaço habitado, muito relacionado também a quem habita conosco. Por isso, convidamos também, para quem puder, participar do encontro em conjunto com uma outra pessoa que habitou a mesma casa, para que cada uma compartilhe sua experiência e memória do lugar. Isso não impossibilita que venham pessoas sozinhas ou mesmo que participem sozinhas da oficina resgatando a memória de alguém querido.