Folhear como exercício, coreografia e invenção de espaços
Oficina com Galciani Neves

MARP - 2018

Risco palavra risco, 2018

MARP- Ribeirão Preto, SP

A exposição Risco palavra risco faz parte do projeto de residência da Biblioteca Pedro Manuel-Gismondi realizada no período de 2017 - 2019

Curadoria e organização: Galciani Neves, Nilton Campos e Simone Moraes.

 Risco palavra risco: uma conversa-escuta à biblioteca: exposição com trabalhos das artistas Renata Cruz e Simone Moraes e obras do Acervo MARP das artistas Ana Luiza Dias Batista, Ana Teixeira e Geórgia Kyriakakis. As obras convidam o público a adentrar a Biblioteca Leopoldo Lima e a deambular pelo espaço do museu, experienciando um tempo de escuta, de leitura, de passar páginas.

 Risco palavra risco: oficina- imersão: uma série de 4 encontros com a curadora Galciani Neves, com a artista Renata Cruz e com os artistas Nino Cais e Vitor Cesar, que propuseram experimentações e discussões sobre a palavra e a construção de visualidades poéticas acerca do livro, como contexto de ação e como matéria-prima, pensando o corte, o grifo, a colagem, a aquarela e o desenho como experiências de leitura, invenção e apropriação.

 Gestos e rastros dessas experiências habitam também o piso térreo do Museu, aderindo à proposição de Luis Camnitzer: “O museu é uma escola”.

Risco palavra risco traz no seu próprio título algumas perguntas. Onde se inscreve a palavra? O que a palavra, quando dita, pode narrar e desenhar sobre si mesma e com o outro? O grifo, o sussurro, a leitura em voz baixa, são também uma forma de construir com palavras? A literatura é o lugar da palavra? Importa dizer que, de todas as possíveis invenções para conviver com essas perguntas, a palavra pode ser compreendida como risco – no embate com o mundo, quando deixa transparecer os limites da linguagem ou, em circunstâncias mais extremas, quando o lugar de fala é ameaçado. Mas, por isso mesmo, a palavra é também potência sem freio, é combustível e ignição de empoderamento.

 Pensemos, então, acerca de uma pele-território onde se arquiteta a palavra, onde encontros surgem e podem gerar inscrições, ativando e criando experiências e histórias no corpo, na memória, nos mais singelos cadernos de anotações, por exemplo. Essa pele-território não é propriedade particular a ser desvendada e invadida, mas lugar de direito, escancarado, a ser habitado irrestritamente. Essa pele-território vem sendo degradada pelos dispositivos de poder, pelos preconceitos estruturais que balizam nossa vida política e afetiva, pelas ondas de violência que assolam o mundo inteiro. Tais ameaças cerceiam e tornam essa ampla pele-território um lugar impenetrável e censuram os corpos que a constituem. Daí, a palavra se traveste de risco em seu coeficiente mais nocivo e resiste em forma de teimosia, insistência, luta.

 É urgente ampliar o usufruto de nossa pele-território para retomar a potência da palavra em suas conjugações mais livres e experimentais, para que possamos ser e nos mover por entre afetos, transformações e sonhos no mundo. Nesse sentido, a arte, a literatura e os encontros que essas e outras tantas vivências coletivas são capazes de frutificar podem ser gestos ativos para desencarcerar a palavra. Na tentativa de tocar essas questões, o Museu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Manuel-Gismondi (MARP) propôs, entre os meses de outubro e dezembro de 2018, duas ações: risco palavra risco: conversa-escuta à biblioteca e risco palavra risco: oficina-imersão.

 

 A primeira ação tratou-se de uma exposição com trabalhos das artistas Renata Cruz e Simone Moraes e obras do Acervo MARP das artistas Ana Luiza Dias Batista, Ana Teixeira e Geórgia Kyriakakis. A mostra apresentou trabalhos que discutem o livro em sua materialidade, a literatura como instância de apropriação e o corpo em sua performatividade de leitura.

 Simultaneamente à mostra, risco palavra risco: oficina-imersão foi uma série de quatro encontros (com Galciani Neves, Renata Cruz, Nino Cais e Vitor Cesar) que propuseram experimentações e discussões, com diálogos entre a palavra e a construção de visualidades poéticas provenientes do livro. O livro foi tratado como contexto de ação e como matéria-prima. A leitura, o corte, a colagem, a aquarela, o desenho, a palavra e a materialidade dos componentes dos livros foram vivenciados como experiências de invenção e apropriação poética. 

Galciani Neves

Curadora

Um livro e o livro lido
oficina com Renata Cruz

MARP - 2018

Cortes e contos
oficina com Nino Cais

MARP - 2018

Superfície de contato
oficina com Vitor Cesar

MARP - 2018